domingo, 16 de janeiro de 2011

Primeira vacina contra cancro do pulmão

Fármaco foi desenvolvido por investigadores cubanos
Investigadores cubanos anunciam a primeira vacina terapêutica contra o cancro do pulmão no mundo. O fármaco, chamado de CimaVax EGF, já foi administrado a mais de mil pacientes, segundo anunciou esta semana o jornal oficial «Trabajadores».

Gisela González, do Centro de Imunologia Molecular de Havana, é a responsável pelo projecto que oferece a possibilidade de transformar o cancro avançado em "doença crónica controlável". O CimaVax EGF é o resultado de mais de 15 anos de pesquisa direccionada para este tipo de tumor e “não provoca efeitos adversos severos”, precisou a especialista ao jornal cubano.
A vacina já foi patenteada e é baseada numa proteína existente no ser humano. González indicou que como o organismo tolera "o próprio" e reage contra "o estranho", por isso tiveram que fazer "uma composição que conseguisse criar anticorpos contra esta proteína".

O tratamento é aplicado quando o paciente conclui as radioterapias e quimioterapias e é considerada "terminal sem alternativa terapêutica" porque ajuda a "controlar o crescimento do tumor sem toxicidade associada".

Entretanto já se avalia a forma de empregar o mesmo princípio do CimaVax EGF em tratamentos contra outros tumores, como os de próstata e útero. A vacina começará a ser testada no Peru em Agosto e já decorre um teste semelhante na Malásia, país em que uma empresa tem os direitos dos testes clínicos e a respectiva comercialização no continente asiático.
2011-01-13
Adriana Vieira, 10º A

Nova bactéria está a corroer destroços do Titanic

Espécie pode desempenhar papel relevante na «reciclagem» dos oceanos

Uma nova espécie de bactéria foi encontrada nos destroços do Titanic. A  Halomonas titanicae foi detectada em formações de ferrugem semelhantes a pedaços de gelo e está a acelerar a deterioração do navio naufragado em 1912, quando embateu num iceberg no Oceano Atlântico.
Os investigadores das universidade de Dalhousie (Canadá) e  de Sevilha (Espanha) que procederam a esta investigação consideram-na  uma potencial nova ameaça microbiana para o casco dos navios e das estruturas metálicas submarinas, como plataformas de petróleo.
Este microrganismo tem uma grande capacidade de causar corrosão em metais, aderindo a superfícies de aço e criando saliências de ferrugem. Além disso, os cientistas suspeitam que a nova bactéria trabalha em conjunto com outros organismos para acelerar este processo.

Segundo os investigadores, esta acção da Halomonas titanicae também pode ser considerada positiva, pois acelera a biodegradação de materiais que afundam no oceano, “desempenhando um papel na reciclagem de estruturas de ferro em determinadas profundidades. Isto torna-se útil no descarte de navios antigos e plataformas petrolíferas que tenham sido limpos de toxinas e produtos à base de óleo e, em seguida, enviados para o fundo do oceano".
Não foi ainda possível determinar se a bactéria chegou ao Titanic antes ou depois de naufragar e, como era desconhecida, não há certezas sobre a sua acção noutras estruturas metálicas.
Os cientistas acreditam que, quando se souberem todos estes detalhes, haverá uma melhor compreensão dos oceanos e poderão ser projectados novos revestimentos capazes de evitar a deterioração em outras estruturas metálicas, como gasodutos que estão submersos no mar.

2010/12/09
Ciência Hoje
                                                                                          Bruna Moreira 

sábado, 15 de janeiro de 2011

Bactérias com 34 mil anos são reanimadas em laboratório


Um complexo ecossistema de bactérias devoradoras de sal sobrevive há 34 mil anos em fluidos no interior de minerais de Death Valley e Saline Valley, no estado da Califórnia (EUA).
A halita, como se denomina o mineral formado por cristais de cloreto de sódio, tem sido o lar dessas bactérias, procariotas e eucariotas, durante dezenas de milhares de anos. A pesquisa consta na edição de Janeiro da revista da Sociedade Geológica Americana, GSA Today.
De acordo com o principal autor do texto, o cientista Brian A. Schubert, do Departamento de Estudos Geológicos da Universidade do Estado de Nova Iorque, as bactérias estavam vivas. Mas a vida delas era limitada à sobrevivência pois não usam energia para nadar nem se reproduzir.
A base da sua sobrevivência é um organismo unicelular, chamado alga Dunaliella, presente em muitos sistemas salinos. Esse organismo produz carvão e outros metabolitos que servem de sustento às bactérias.
Assim, os organismos podem sobreviver, durante períodos imprevisíveis, flutuando em fluidos no interior dos minerais.
«A parte mais emocionante (da pesquisa) foi quando pudemos identificar as células de Dunaliella nos cristais, porque eram indícios de que poderia haver uma fonte de alimento", explicou Schubert ao site Our Amazing World.
O rápido crescimento dos cristais de sal, que envolvem todos os fluidos em pequenas bolhas de ar protegidas no seu interior, é outra das razões da surpreendente longevidade das bactérias, aponta o estudo.
A pesquisa de Schubert e a sua equipa não é a primeira descoberta de organismos tão antigos. Já foram publicados outros que falam de bactérias vivas com mais de 250 milhões de anos. Esta, entretanto, é a primeira em que os cientistas comprovaram as suas conclusões com a repetição de testes.
De acordo com Schubert, ele conseguiu fazer com que os organismos voltassem a crescer uma segunda vez, um resultado também obtido em testes posteriores em laboratórios, o que prova que o seu estudo não foi manipulado.
Em cinco dos 900 cristais de sal analisados pela equipa, novas bactérias se reproduziram, indicou Schubert. Os microrganismos demoraram cerca de dois meses e meio para «despertar» do seu estado de letargia antes de começar a proliferar.
Os cientistas ainda não determinaram, no entanto, como as bactérias conseguiram sobreviver durante tantos anos com o sustento tão mínimo que a alga lhes proporcionava.
A equipa pretende agora aprofundar essa pesquisa e contrastá-la com outras que exploram a vida microbiana na Terra e no Sistema Solar, onde existem materiais potencialmente capazes de abrigar microrganismos, incluindo aqueles com milhares de milhões de anos de idade.
Por enquanto, Schubert e os seus colegas conseguiram algo pouco comum: a reprodução de bactérias que se se reproduzam pela primeira vez após milhares de anos.

Diário Digital

Catarina Fitas

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Escovas de dentes acumulam bactérias em apenas dois meses

Humidade, pouca circulação de ar e restos de comida formam o ambiente mais propício que existe para a proliferação de fungos e bactérias. Não é difícil concluir, portanto, que as escovas de dentes são alvos frequentes de microrganismos. Para piorar, estas nem sempre ficam dentro do armário da casa de banho, por isso estão expostas às gotículas expelidas da sanita para o ar quando se puxa o autoclismo sem fechar a tampa.
O ideal é higienizar a escova de dentes de vez em quando e, se isso não for possível, trocá-la com maior frequência que a recomendada. É o que se pode concluir de um estudo realizado na Veris Faculdades, em Campinas (Brasil), que analisou a presença de diferentes tipos de microrganismos no utensílio, inclusive coliformes fecais e outras bactérias que podem causar problemas gastrointestinais e febre.
As investigadoras Tássia Bulhões e Adriana Perez analisaram dez escovas de dente – metade com dois ou três meses de uso e a outra metade, com apenas um mês. Todas elas apresentaram microrganismos, mas aquelas usadas por apenas 30 dias tiveram índices bem mais baixos.
Cada escova com mais de um mês de uso continha uma média de 1.100 coliformes fecais, 11 mil bactérias do tipo estafilococos coagulase negativa e cerca de 6.500 bolores e leveduras. Aquelas usadas por somente 30 dias apresentaram apenas 13 estafilococos, uma colónia de fungos e poucos coliformes fecais. A bactéria Pseudomonas aeruginosa, encontrada nas escovas usadas por mais tempo, não apareceu nas mais novas.
«Muitos desses microrganismos têm sua população duplicada em poucos minutos e, se o utilizador tem alguma lesão na boca ou gengivite, as portas ficam abertas para infecções que podem ser graves se a pessoa estiver com o sistema imunológico comprometido», explica a orientadora do trabalho, a professora de microbiologia Rosana Siqueira dos Santos.
O estudo chama a atenção para a necessidade de higienizar a escova de dentes todo dia, ou pelo menos uma vez por semana, deixando as cerdas de molho por dez minutos num recipiente com antisséptico bucal ou solução à base de clorexidina, produtos facilmente encontrados na farmácia.
«Se a pessoa não tiver nada em casa, pode mergulhar a escova em água fervente também por dez minutos», afirma a professora.
Se não conseguir higienizar a escova, sugere-se trocá-la uma vez por mês, e não a cada dois ou três meses, como os próprios fabricantes recomendam.
Outras dicas para evitar a contaminação incluem tirar todo o excesso de água com algumas sacudidelas após usar a escova, e nunca secá-la com a toalha (que também costuma estar cheia de microrganismos), nem com papel higiénico (que fica muito próximo da sanita). Depois do ritual, o ideal é guardar a escova no armário e o mais longe possível da sanita, lembrando sempre que é preciso fazer a descarga com a tampa fechada.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=62&id_news=487912&page=3

Rita Brito

Tubarões - A 11.ª praga do Egipto

E, de repente, o paraíso dos banhistas e mergulhadores transformou-se num refeitório para tubarões. Enquanto os cientistas procuram respostas para os ataques em Sharm el-Sheikh, Israel já teve de garantir publicamente que não se trata de uma acção dos seus serviços secretos.
A vida decorre tranquila numa estância balnear, até que, um dia, uma série de ataques de tubarão lança o pânico na região. As autoridades tentam conter os danos, mas, logo a seguir, regista-se a primeira morte. Nessa altura, o alerta geral é dado e, enquanto os turistas são proibidos de entrar no mar, especialistas vindos de fora tentam perceber o que se passa.
Parece a sinopse do velho clássico Tubarão, mas é exactamente o que se passou na última semana em Sharm el-Sheikh, Egipto, uma das mais afamadas estâncias balneares e de mergulho do mundo. O primeiro susto já tinha acontecido dias antes, com os ataques a três turistas russos e um ucraniano, mas foi no domingo, dia 5, que a situação ganhou o dramatismo que nos traz à cabeça as imagens do filme de Steven Spielberg. O corpo de uma turista alemã de 70 anos deu à costa, com a perna direita dilacerada por dentadas de tubarão.
A cena foi horrível. "A água borbulhava como numa máquina de lavar. Eu andava aos tombos por entre o sangue. O tubarão continuava a golpear e a morder aquela pobre mulher e eu mal conseguia manter-me à superfície", relatou ao jornal The Guardian uma turista, Ellen Barnes, que estava na água quando se deu o ataque fatal. Mas isto não representou apenas uma escalada na violência: quando aconteceu, já a opinião pública estava a ser convencida de que os culpados tinham sido apanhados. 
A televisão egípcia divulgou imagens da captura de pelo menos um dos dois tubarões-de-pontas-brancas que teriam molestado os turistas.
Não eram eles. Ou, pelo menos, não eram apenas eles. E lá se vão as semelhanças com o filme, onde a vaga sangrenta se devia apenas a um tubarão "psicopata"... Especialistas internacionais apontam agora para a hipótese de haver outra espécie envolvida nesta vaga sangrenta: o tubarão-mako. E aqui a trama, como em qualquer filme de suspense, adensa-se. Tanto o pontas-brancas como o mako são tubarões de mar aberto e, por isso, raramente são vistos perto da costa. Por que razão estariam eles agora a caçar em águas pouco profundas, atacando, ainda por cima, seres humanos?

Assassinos ou vítimas?

Não são, propriamente, meninos de coro: os pontas-brancas são mesmo considerados os maiores responsáveis por mortes humanas no mar devidas a ataques de tubarão. Mas não em episódios individuais. Por causa da sua abundância e agressividade, eram eles que dizimavam os marinheiros que sobreviviam ao afundamento dos seus vasos de guerra durante a Segunda Guerra Mundial.
Muitos mergulhadores relatam episódios em que se viram na presença de tubarões-de-pontas-brancas, sem que se tenham sentido ameaçados. Mas reconhecem que se trata de uma espécie com um comportamento menos tímido do que a generalidade dos tubarões. Isto pode dever-se ao facto de habitarem águas muito despovoadas, em que qualquer presa potencial deve ser considerada. E se os mergulhadores, com fatos vestidos e uma noção apurada do que se passa em seu redor, são relativamente fáceis de identificar, já os banhistas e as pessoas que observam recifes com máscara - e que chapinham à superfície - são mais susceptíveis de serem confundidos com presas.
Com um comprimento que pode atingir os quatro metros, os pontas-brancas são um predador formidável, mas não são eles que atacam banhistas e surfistas. Pelo menos até aqui. As notícias e imagens dramáticas que de vez em quando nos chocam são, normalmente, protagonizadas por espécies como o tubarão-branco, o tubarão-tigre ou o tubarão-touro. A questão, portanto, é perceber por que razão andam eles em águas costeiras, fora do seu habitat natural.Um pouco mais pequeno (até 3,2m), o mako é também susceptível de atacar humanos, mas é raro no Mar Vermelho. Em qualquer dos casos, porém, a balança tem pendido muito para o lado da espécie que domina o planeta. Outrora muito abundante, o tubarão-de-pontas-brancas tem agora o estatuto de "vulnerável" porque é o favorito dos gourmets para a sopa de barbatana de tubarão. Quanto ao mako, pela sua velocidade e capacidade para saltar fora de água, é considerado um valioso troféu de pesca desportiva.

Um relance do futuro

A sua presença nestas águas costeiras pode significar que encontram aqui a comida que a sobrepesca lhes roubou em alto-mar, mas há ainda outras explicações possíveis: diz-se que um cargueiro terá, recentemente, lançado ao mar várias carcaças de ovelhas mortas durante uma viagem pela zona, o que atrairia os predadores. Ou que os tubarões, devido à massificação do turismo, estariam a habituar-se à presença contínua de pessoas na água e o seu comportamento começava a passar do medo para a curiosidade (e, nesse caso, quaisquer objectos brilhantes, como jóias, poderiam atrair a sua atenção).
Ou ainda que os serviços secretos israelitas, a mítica Mossad, teriam lançado no Mar Vermelho um tubarão assassino para atacar a indústria turística do Egipto. Seria assim uma espécie de 11.ª praga, depois das dez que Deus, segundo a tradição judaico-cristã, fez cair sobre o povo do Nilo. Parece coisa para rir, mas o Médio Oriente não é sítio para brincadeiras e de Israel já vieram desmentidos formais.
Até porque os rumores iniciais acabaram por ter eco oficial. "Dizem que a Mossad soltou um tubarão assassino no Mar Vermelho para dar um golpe no turismo do Egipto. Não descartamos essa hipótese, precisamos de tempo para confirmar estas denúncias", avançou, em declarações à agência Reuters, o governador do Sul do Sinai, Abdel Fadil Shousha. Em Israel, a reacção não tardou: "Parece-me que os funcionários egípcios andaram a ver demasiadas vezes o filme Tubarão. A Mossad tem muitos assuntos bem mais importantes pela frente do que enviar tubarões para os vizinhos", confidenciou ao jornal El Mundo um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Seja como for, e enquanto mergulhadores, pescadores e cientistas tentam perceber o que se passa e os ecologistas receiam uma escalada no morticínio de tubarões, os banhistas vêem-se agora forçados a olhar para as quentes águas do Mar Vermelho sem poderem, sequer, molhar os pés, relata a BBC online. "Os turistas mantêm as suas actividades nos hotéis, podem continuar a embarcar nos barcos com fundos transparentes e a fazer excursões em terra. Podem fazer tudo menos tomar banho e mergulhar na área delimitada", enunciou o porta-voz das autoridades locais.
Talvez o susto passe e os turistas esqueçam rapidamente os ataques (em Portugal, agências contactadas pelo P2 não notaram qualquer oscilação na procura de um destino que, no mercado nacional, é relativamente marginal). Mas há quem receie que esta vaga de ataques tenha sido apenas um relance do que nos espera no futuro.

Público - 11-12-2010
Catarina Fitas

domingo, 9 de janeiro de 2011

NASA adia lançamento de vaivém espacial Discovery

A agência espacial norte-americana (NASA) adiou ontem o lançamento do vaivém Discovery, previsto para 3 de Fevereiro, para uma data ainda a determinar. É preciso mais tempo para reparar o reservatório externo de combustível, justifica.

Tendo em conta o trabalho que ainda está por fazer no reservatório externo e a possibilidade de ter de fazer alterações suplementares, “foi tomada a decisão de adiar o lançamento que estava previsto para a janela temporal de 3 a 10 de Fevereiro”, escreve a NASA em comunicado.

Altos responsáveis da NASA e do programa espacial do vaivém deverão reunir-se na segunda-feira para avaliar os progressos das operações de reparação e decidir que medidas tomar.

Inicialmente, a NASA viu-se obrigada a renunciar ao lançamento do Discovery a 5 de Novembro devido a uma fuga de hidrogénio durante o abastecimento do reservatório externo. Depois de dois milhões de litros de hidrogénio e de oxigénio líquido a muito baixas temperaturas terem sido colocados no reservatório foi detectada uma fissura de 51 centímetros na espuma isoladora e várias falhas nas placas de alumínio reforçado. Por isso, a NASA adiou uma nova tentativa de lançamento para meados de Dezembro, antes de voltar a adiar para a data de 3 de Fevereiro para ter mais tempo de realizar testes, compreender as causas das fissuras e fazer as reparações necessárias.

O voo do Discovery levará seis astronautas a bordo e terá uma duração de onze dias. Será o 39º e o último para este vaivém, o mais antigo da frota da NASA. Em princípio, o último voo de um vaivém da NASA será efectuado pelo Endeavour, nunca antes de Abril. Tudo dependerá do lançamento do Discovery. Se o Congresso norte-americano desbloquear os fundos, poderá ser realizado um lançamento suplementar mais para o final deste ano.
Quando as naves norte-americanas não voarem mais, os Estados Unidos passarão a depender dos Soiuz russos para transportar os seus astronautas para a Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês). Pelo menos até que os veículos espaciais comerciais norte-americanos ou o sucessor dos vaivéns estejam prontos para assumir as missões, provavelmente depois de 2015.




Sofia Vieira


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Bióloga descobre espécie de insecto com milhões de anos em gruta algarvia

Existe há milhões de anos numa gruta algarvia mas só agora foi encontrado por uma bióloga portuguesa. O Litocampa mendesi, animal com três milímetros e sem olhos ou asas, será mais primitivo do que os insectos que hoje conhecemos. Mas as novidades do frágil mundo vivo cavernícola só agora estão a começar.
Sofia Reboleira, do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro, tem estado atarefada a estudar as amostras que trouxe para a superfície, fruto de doze meses de trabalho de campo em 2009, a dezenas de metros de profundidade nas grutas portuguesas.
A 22 de Dezembro, a revista "Zootaxa" publicava a descoberta do Litocampa mendesi. “Procurámos a fauna das grutas através da observação do interior das cavidades e com a ajuda de armadilhas de queda colocadas no chão”, explicou hoje ao PÚBLICO a bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Nas armadilhas foram colocados iscos odoríferos para atrair os insectos. “Este tipo de armadilhas também ajuda a medir a actividade dos animais, porque os que mais andam são os que mais caem” nas armadilhas.
Mas este é um trabalho exigente. “São animais muito raros que apenas vivem em zonas difíceis de estudar”, disse Sofia Reboleira, também espeleóloga. Investigar a espécie em laboratório está fora de questão. “É impossível manter estes insectos em cativeiro. É muito difícil. Eu nunca vi [o Litocampa mendesi] vivo”, referiu.
A investigadora, que estuda a fauna cavernícola do país, está em condições para dizer que este insecto desenvolveu, ao longo de milhões de anos, impressionantes estratégias de poupança energética para conseguir sobreviver na escuridão das grutas, como a ausência de olhos e asas e a grande resistência ao jejum. Estima-se que este será um animal “mais primitivo do que os insectos” actuais.

A fragilidade das espécies cavernícolas

Sofia Reboleira estuda os animais que não vivem em mais nenhum local que não nas grutas, até aos 220 metros de profundidade, sob a orientação de Fernando Gonçalves (do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro) e Pedro Oromí (da Faculdade de Biologia da Universidade de La Laguna, em Tenerife, Espanha). Até agora anunciou cinco novas espécies. Em Maio foi anunciada a descoberta de duas novas espécies de escaravelhos nas grutas das serras de Aire e Candeeiros e no início de Dezembro outra espécie de escaravelho em Montejunto e um pseudoescorpião nos maciços calcários do Algarve. Agora foi a vez do Litocampa mendesi, numa gruta algarvia a 30 metros de profundidade.
A maioria dos invertebrados que constituem a fauna cavernícola são artrópodes, como as aranhas e insectos. Apesar de viverem em ambientes até agora pouco estudados, estas espécies merecem atenção. "As espécies cavernícolas não conseguem sobreviver em mais nenhum local, logo têm a sua distribuição geográfica muito reduzida. Qualquer perturbação pode pôr em causa a sua sobrevivência", sublinhou Sofia Reboleira. A investigadora lembrou, nomeadamente, a poluição por pesticidas e insecticidas que se podem infiltrar nas grutas e a perturbação ou mesmo destruição daqueles locais por actividades humanas.
Além disso, estas populações nunca são de grande dimensão. "Não tendo luz, as grutas onde vivem estes animais não têm plantas e as fontes de alimento são muito escassas. Por isso, as populações não podem ser muito grandes. Na verdade, estes são exemplares raríssimos".

Sofia Reboleira acredita que 2011 poderá trazer mais surpresas. “Ainda estamos a estudar a fauna encontrada no ano da amostragem, em 2009”, salientou.


Rita Brito

domingo, 2 de janeiro de 2011

Lesma-do-mar: Colorida, viscosa e talvez terapêutica


Da ilha do Faial chegou uma surpresa: o Porto da Horta está pejado de uma lesma-do-mar, onde se isolou uma molécula nova. Os primeiros testes indicam que tem propriedades farmacêuticas. Se daqui surgir uma patente, as populações locais deveriam receber parte dos benefícios? Há uma discussão em curso sobre isto a nível mundial.
Parece feita de veludo e, só de a ver em fotografias, apetece tocar-lhe para confirmar se é macia. E as suas cores, um azul e um verde vistosos, são um aviso aos predadores, como se gritasse aos quatro ventos para não a comerem, que é tóxica. O aviso é a sério: a Tambja ceutae é uma lesma-do-mar que acumula uma molécula tóxica, agora descoberta, para defesa própria.
A espécie já é conhecida há mais de 20 anos: com cerca de 2,5 centímetros de comprimento, foi encontrada pela primeira vez em 1988 em Ceuta, daí o nome científico que lhe atribuíram. Tanto em Ceuta como em Marrocos, Sul de Espanha, Canárias, Cabo Verde, Madeira e Açores, os locais onde entretanto tem sido observada, nunca primou pela abundância.
Mas em Agosto de 2007 as coisas mudaram: numa campanha internacional de estudo das lesmasdo- mar do Atlântico, que incluiu o biólogo português Gonçalo Calado e que passou por locais como as Bermudas ou o Brasil, os cientistas mergulharam numa zona mesmo à mão de semear e deram de caras com ela. Estava colada à ilha do Faial, a pouca profundidade. 
Por que é que há ali tantas Tambja ceutae? A resposta encontra-se no que lhe serve de alimento. Ela come um briozoário, animal que vive agarrado ao fundo por um pé (parece um raminho) e que se alimenta de partículas que fi ltram da água. Ora, esse briozoário, da espécie Bugula dentata, existe em grande quantidade nas paredes do Porto da Horta. “E ela cresce e multiplica-se lá. Facilmente se localizam centenas de exemplares.” 
Os exemplares recolhidos foram congelados e encaminhados para um laboratório em Itália, para uma série de estudos. “Só agora foi possível obtê-la em quantidade sufi ciente para os estudos químicos”, explica Gonçalo Calado.

Guerra contra o cancro

Os especialistas de lesmas-do-mar (ou nudibrânquios, como lhes chamam) sabem que este grupo de animais foi desenvolvendo a capacidade de fabrico ou de acumulação de substâncias químicas que afastam, ou até matam, os predadores. Não têm concha, o que à partida é uma desvantagem, mas arranjaram outros meios de protecção – avançaram para a guerra química. E a coloração chamativa do corpo, associada às armas químicas que desenvolveram, funciona como um aviso aos potenciais predadores.
Cores vivas costumam ser sinónimo de lesmas tóxicas, mas também as há imitadoras: embora sejam comestíveis pelos predadores, protegem-se atrás da cópia das cores vistosas de outras espécies, essas sim indigestas.
Para os seres humanos, as armas químicas das lesmas-do-mar podem revelar-se valiosas. Vários estudos têm demonstrado que são detentoras de moléculas raras na natureza, que podem ter também interesse farmacêutico. Por exemplo, a empresa PharmaMar, em Madrid, tem estado a testar moléculas oriundas de lesmas-domar contra o cancro. A ideia não é apanhá-las até à exaustão para extrair as suas moléculas; antes é inspirar-se nessas moléculas para as fabricar em laboratório.
Aliás, a Tambja ceutae deve adquirir a molécula através da comida. “Foi detectada em pequenas quantidades no briozoário. Muito provavelmente, é o briozoário que a produz e a lesma-do-mar, ao comê-lo, guarda a molécula para a sua própria defesa”, diz Gonçalo Calado, um dos autores do artigo científico.
Os testes, ainda muito preliminares, revelaram que a tambjamina K possui actividade contra células humanas cancerosas do cólon, do útero e do cérebro, por exemplo. Dependendo da concentração, a molécula exibiu uma actividade tóxica notável tanto em células tumorais como em células não tumorais de mamíferos, concluiu a equipa no artigo, acrescentando que a tambjamina K impediu a proliferação de todas as linhas celulares testadas.
Mas desta história pode tirar-se uma lição: “O mar como fonte de substâncias naturais para uso humano ainda nos traz muitas surpresas, mesmo quando olhamos para espécies relativamente comuns e em áreas muito humanizadas, como é o caso do Porto da Horta”, sublinha o biólogo. “Quem diria que no Porto da Horta existia uma espécie com uma molécula nova, que é promissora em termos de algum tipo de tratamento?”
_________________
(Adaptado)

Público
Catarina Fitas

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Super-satélite de telecomunicações já está em órbita

O mais potente satélite de telecomunicações do mundo, da operadora Eutelsat Communications, entrou ontem em órbita, devendo permitir o acesso a Internet de banda larga a mais de um milhão de lares na Europa e no Baixo Mediterrâneo.
O satélite europeu Ka-Sat, lançado na noite de domingo pelo foguete russo Proton-M, a partir do cosmódromo russo de Baikonour, no Casaquistão, entrou ontem em órbita, anunciou o centro espacial Khrounitchev, em comunicado. "O satélite entrou em órbita, com sucesso, às 10:03 de Moscovo (07:03 GMT)", precisa o comunicado.
Trata-se do primeiro lançamento de um foguete Proton depois do fracasso de pôr em órbita três satélites russos de navegação Glonasse, que caíram no Oceano Pacífico a 1500 quilómetros do Havai, a 05 de Dezembro. Depois deste incidente, atribuído por alguns especialistas a erros de programação do Proton, os lançamentos deste tipo de foguetes foram temporariamente interditos.
O Ka-Sat, construído pela Eutelsat para a Astrium, a divisão espacial do grupo europeu EADS, deve permitir o acesso à Internet de banda larga aos consumidores da Europa e do Baixo Mediterrâneo que não acedam a este serviço ou que tenham fracas ligações por via terrestre.


Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia

Carolina Carvalho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Formação dos anéis de Saturno tem nova explicação

Gelo que compõe anéis seria revestimento de um antigo satélite natural do planeta

2010-12-14
Formação dos anéis de Saturno (imagem:  Southwest Research Institute)
Formação dos anéis de Saturno (imagem: Southwest Research Institute)
Os anéis de Saturno podem ter surgido com a desintegração de um satélite natural daquele planeta. Num estudo publicado agora na «Nature», a investigadora Robin Canup, astrofísica do Southwest Research Institute (EUA), explica que o gelo que anda à volta de Saturno terá sido o revestimento de um antigo satélite natural que se foi “descascando” à medida que se aproximava do planeta.

O sistema de anéis de Saturno é único e a sua origem não tem até agora uma explicação adequada, acredita a investigadora, pois nada até agora tinha conseguido explicar a existência de milhões de pedaços compostos por 90 a 95 por cento de água gelada.
Até agora, havia duas teorias dominantes sobre o fenómeno que não conseguiam explicar em pormenor a formação dos discos que, se fossem compactados, formariam um satélite com 500 quilómetros de diâmetro.

Uma das hipóteses diz que os discos de gelo são restos de uma antiga lua que pode ter explodido há milhões de anos. A segunda defende que os anéis são escombros que sobraram da formação do planeta.

A nova teoria valoriza a primeira hipótese. Robin Canup desenvolveu um modelo informático capaz de explicar como se formam os anéis. A sua teoria tem como base a força gravitacional que Saturno exerce.

A sua influência é semelhante à da Lua sobre marés do nosso planeta. A formação dos anéis terá começado quando um satélite do tamanho de Titã (uma das actuais luas de Saturno), cujo diâmetro é metade da Terra, entrou no campo gravitacional daquele planeta e começou a girar à sua volta, numa zona que estava então ocupada por uma cintura de gás.

A pressão começou a tirar o gelo que cobria o satélite até deixar visível o seu núcleo de silicatos. Este continuou a avançar em direcção a Saturno até que ficou “sepultado” na sua densa atmosfera gasosa.

http://www.cienciahoje.pt/

Beatriz Fonseca

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Elefante asiático nasceu em Singapura





Um elefante bebé, da subespécie asiática, de menor porte que a africana, nasceu em Singapura a 24 de Novembro de 2010, uma acontecimento raro que as autoridades do país assinalam com orgulho.
Este é o primeiro animal da espécie a nascer na região nos últimos nove anos.
Os elefantes asiáticos estão em maior risco de extinção do que os africanos.
As estimativas dos cientistas apontam para a existência de 30 mil elefantes asiáticos e 50 mil africanos.

06.12.2010 – DN.PT
Catarina Fitas 

Novo dinossauro na Coreia do Sul

 O 'Koreaceratops' vem preencher um vazio de registos fósseis na região.



Havia traços e vestígios, como ovos fossilizados e pegadas, mas nunca até agora tinham sido encontradas partes de esqueleto fossilizadas de dinossauros na península da Coreia. Logo à primeira, a equipa internacional que fez o achado descobriu também uma nova espécie de dinossauro, um ceratópode, que significa que tinha cornos ou saliências ósseas na cabeça.
O Koreaceratops hwaseonengis, como foi designado pelos seus descobridores, viveu há 103 milhões de anos, no período Cretáceo, e foi ontem anunciado pelos seus descobridores na revista científica de língua alemã Naturwissenchaften.
"Esta é uma descoberta rara", afirmou Michael Ryan, curador para a área da paleontologia de vertebrados do Museu da História Natural de Cleveland, nos Estados Unidos, e um dos autores do achado, juntamente com investigadores da Coreia do Sul e do Japão.
"Nunca se tinham encontrado fósseis de dinossauro nesta região, apesar de anteriormente se terem encontrado outros vestígios, como ovos fossilizados e pegadas", explicou o investigador norte-americano.
Com a dimensão de um ser humano de estatura média-baixa (1,67 metros), uma cabeça ornamentada por protuberâncias ósseas e uma causa alargada na ponta, o Koreaceratops reflecte no nome a sua origem geográfica. A Coreia, desde logo. E hwaseonengis refere-se à cidade junto à qual foram encontrados os seus fósseis: Hawseong. Mas o seu nome reflecte também o seu género de ceratópode, que se refere especificamente às protuberâncias na cabeça.
A descoberta deste espécime "é importante na medida em que vem preencher um vazio de 20 milhões de anos", do ponto de vista do registo fóssil nesta região e porque permite documentar agora o período "entre a origem destes dinossauros na Ásia e a sua primeira aparição na América do Norte", segundo explicou o paleontólogo do Museu de História Natural de Cleveland.
Com o seu pouco mais de metro meio e menos de 50 quilos de peso, o dinossauro da Coreia da Sul é relativamente pequeno, quando comparado com os seus parentes e predecessores na América do Norte, como o Triceratops, que era um autêntico gigante.
O estudo dos fósseis do dinossauro da Coreia, que incluem parte da cauda, dos membros e da queixada, mostrou que esta espécie, que tinha o focinho a terminar em forma de bico, era herbívoro e conseguia deslocar-se a uma boa velocidade sobre as pernas traseiras. A sua cauda um pouco bizarra sugere que ele deveria ser também um bom nadador, segundo os investigadores que estudaram os fósseis. 


08.12.2010 - DN.PT | FILOMENA NAVES
Catarina Fitas 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Mercúrio leva a comportamentos homossexuais em aves

Um estudo que teve início com outro objectivo – descobrir por que é que as aves se reproduzem menos quando há mercúrio na sua alimentação –, acabou por revelar resultados surpreendentes aos investigadores. A contaminação desse elemento químico afectou o comportamento dos íbis brancos tornando-os homossexuais, segundo cientistas da Flórida (EUA) e do Sri Lanka. A investigação foi publicada na revista "Proceedings of the Royal Society B"
A equipa já sabia que o mercúrio pode reduzir os níveis de testosterona (hormona masculina), mas não esperavam que tal acontecesse. O estudo explica que a contaminação pode derivar da queima de carvão e de lixo, para além das minas – especialmente comum em regiões pantanosas.
Os íbis brancos foram alimentados com fármacos que continham a mesma concentração de mercúrio encontrada em camarões e lagostins que servem de alimento para estas aves em pântanos.
Quanto mais alta a dose de mercúrio, maior era a probabilidade de um íbis macho acasalar com outro macho. De acordo com os cientistas, o estudo prova que a substância pode reduzir drasticamente a reprodução dos pássaros e possivelmente de outros animais.
Os investigadores adiantam que ainda não sabem exactamente como é que o mecanismo se processa no organismo das aves, apenas que o mercúrio altera os sinais hormonais, o que poderia ter um impacto directo no comportamento sexual. Além disso, os machos contaminados com taxas mais altas de mercúrio realizavam menos rituais de acasalamento, o que tornava mais provável que eles fossem ignorados pelas fêmeas.
  

(http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=46323&op=all)
(http://www.cienciahoje.pt/files/46/46324.jpg)
Daniel Cordeiro

 

sábado, 4 de dezembro de 2010

Lançamento do vaivém Discovery adiado para Fevereiro de 2011

O lançamento do vaivém espacial norte-americano Discovery previsto para meio deste mês foi adiado para Fevereiro devido a problemas técnicos, adiantou hoje a NASA. O vaivém vai fazer a sua última viagem até à Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês).Se a situação estiver resolvida, o vaivém terá uma janela de tempo entre 3 e 10 de Fevereiro para o lançamento, disseram os responsáveis da missão, numa conferência de imprensa.

A primeira data para esta a viagem à ISS era a 5 de Novembro. Mas a descoberta de uma fuga de hidrogénio no reservatório externo, devido a rachas nas placas de metal, obrigou a abortar a missão.

Apesar de terem resolvido essa situação, os técnicos dizem que não encontraram a origem do problema. A NASA vai agora realizar testes para medir outros instrumentos que estão ligados ao tanque externo. Isto vai ajudar a perceber o tipo de stress exercido nestas áreas.

Os engenheiros vão ser capazes de testar se as reparações feitas às rachas aguentam temperaturas muito quentes ou se novas rachas formam-se durante os testes.
Esta é a última missão do Discovery


Sofia Vieira

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NASA prepara-se para revelação sobre vida extraterrestre

A NASA anunciou que esta quinta-feira organiza uma conferência de imprensa para discutir

 «uma descoberta que terá um enorme impacto na procura de vida extraterrestre».

A conferência será sobre Astrobiologia compreende o estudo da origem, evolução, distribuição 
e futuro da vida no universo. A conferência acontecerá na sede da NASA, em Washington,
com vários especialistas, e com emissão em directo através do site a agência espacial.
Entre os participantes estão Pamela Conrad, astrobióloga autora de um estudo de 2009
sobre geologia e vida em Marte, Steven Benner, membro do grupo de pesquisas sobre Titan,
 a maior lua de saturno, e James Elser, ecologista envolvido no programa Follow the Elements,
que estuda a química dos ambientes em que a vida evolui.

Também participam Mary Voytek, diretora do Programa de Astrobiologia da NASA,
 e Felisa Wolfe-Simon, pesquisadora de astrobiologia da USGS, agência geológica dos EUA.

Recentemente, a agência espacial descobriu oxigénio e dióxido de carbono numa da luas
de Saturno - Rhea, a segunda lua deste planeta.


Rita Brito

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Biólogos descobrem nova espécie de verme marinho no Mar das Celebes

Uma equipa de biólogos norte-americanos descobriu uma nova espécie de verme marinho, que vive a três mil metros de profundidade no Mar das Celebes, ao largo da costa da Indonésia.A criatura Teuthidodrilus samae - que se alimenta de plâncton e pode medir até nove centímetros - foi capturada pelo submersível de controlo remoto “Max Rover Global Explorer”, segundo noticia o jornal “The Guardian”. No Mar das Celebes, entre as Filipinas e a Indonésia, as zonas mais profundas estão isoladas das águas circundantes mais superficiais. Por isso, a vida marinha evoluiu num ambiente único e quase imperturbado.

 

Sofia Vieira


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Não há condições para se desenvolver vida, avisam cientistas mas há oxigénio em Reia, uma das luas de Saturno

  Reia é uma lua gelada, sem água em estado líquido

 Há oxigénio na atmosfera de Reia, uma das luas de Saturno, detectou a sonda Cassini da NASA, que está a estudar o sistema de Saturno. É a primeira vez que este gás, chave da vida na Terra, é detectado directamente na atmosfera de outro planeta.
A atmosfera - ou exosfera, como se chama por ser noutro planeta que não a Terra -, contém também dióxido de carbono. É muito ténue: à superfície o oxigénio é cinco biliões (milhões de milhões) de vezes menos denso do que no nosso planeta, diz um comunicado da NASA.
Mas desengane-se quem está já a sonhar com extraterrestres, pelo menos com plantas extraterrestres, que façam fotossíntese, respirando dióxido de carbono e libertando oxigénio. Estes gases devem ser libertados devido à acção de partículas de altas energias da magnetosfera de Saturno que bombardeiam a superfície gelada desta lua, onde há gelo de água, adianta o artigo publicado esta semana na revista “Science”, onde é descrita a descoberta.
Se há oxigénio, faltará outro componente essencial: água no estado líquido: “Todos os dados da Cassini indicam que Reia é demasiado fria e desprovida de água líquida, necessária para que exista vida tal como a conhecemos”, diz Ben Teolis, do Southwest Research Institute, o primeiro autor do trabalho, citado pela agência espacial norte-americana.
O que isto quer dizer é que podem ser relativamente comuns reacções químicas com oxigénio – um gás que não é assim tão banal – no nosso sistema solar, e se calhar no Universo. Mesmo que não haja vida – embora seja um sinal auspicioso para que se venha a desenvolver, num planeta ou lua que tenha condições para ter água em estado líquido, à superfície ou até mesmo no seu interior. “Esta química pode ser um pré-requisito para o surgimento da vida”, disse ainda Teolis, citado no comunicado da NASA. 

26.11.2010 - PÚBLICO.PT | Clara Barata

Catarina Fitas 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Mais de metade da energia consumida provém de renováveis


As fontes de energia renováveis já integram 53 por cento do consumo anual de electricidade em Portugal. Os dados da Direcção Geral de Energia e Geologia são relativos a Setembro e revelam que já há licenciamento para mais 12 por cento de potência renovável face à actualmente instalada.
Mais de metade do consumo anual de electricidade em Portugal é proveniente de energias renováveis. Relativamente aos primeiros nove meses do ano a produção total eléctrica a partir de fontes de renováveis registou um aumento de 71 por cento, face a igual período de 2009.

No âmbito da energia eléctrica renovável, as hídricas têm um peso de 56,6 por cento, as eólicas de 33 por cento, a biomassa 7,5 por cento e a produção fotovoltaica, biogás e resíduos sólidos urbanos contribuem com o restante.

Segundo os dados da Direcção Geral de Energia e Geologia já há licenciamento para mais 12 por cento de potência renovável.

http://noticias.portugalmail.pt/

Beatriz Fonseca

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Experiências no CERN indicam que o Universo começou como um líquido

Reconstituição dos percursos das partículas subátomicas libertadas pelas colisões de átomos de chumboNo acelerador de partículas do CERN já começaram a ser produzidos mini-Big Bangs, fazendo colidir núcleos atómicos maciços de chumbo, acelerados até velocidades muito próximas da da luz. Estas experiências, que libertam enormes quantidades de energia, permitem já reforçar uma teoria que os físicos têm tentado provar experimentalmente na última década: que, nos seus primeiros milionésimos de segundo, o Universo era líquido.

Foi no início do mês que os cientistas começaram a produzir no LHC, o acelerador de partículas instalado num túnel circular enterrado a mais de 100 metros de profundidade sob a fronteira franco-suíça, no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), estes Big Bangs em miniatura. O que na verdade se produz são densas bolas energéticas com as colisões dos núcleos de chumbo acelerados, que atingem temperaturas de dez biliões (milhões de milhões) de graus Celsius.

A esta temperatura incrível, muito maior do que o interior do Sol, os núcleos atómicos de chumbo fundem-se, misturando os seus constituintes mais básicos: os quarks, que são os tijolos fundamentais da matéria, e os gluões, as partículas que mediam as forças entre quarks.

Cria-se, assim, algo como uma amálgama superquente e superdensa, a que se chama um plasma de quarks e gluões. Curiosamente, comporta-se mais como uma sopa quente do que outra coisa.

Um artigo que descreve as medições feitas pelos cientistas que trabalham na experiência ALICE, um dos detectores instalados ao longo do anel do LHC, foi já submetido para publicação na revista científica Physical Review Letters — e colocada uma cópia no site arxiv.org. Os resultados confirmam os das colisões de átomos de ouro feitas no acelerador do Laboratório Nacional de Brookhaven, nos Estados Unidos, que apontavam para um plasma que fluia como um líquido “quase perfeito”, quase sem viscosidade.

“As nossas medições são definitivas, mas serão precisas muitas discussões para determinar o que quer isto dizer em termos de viscosidade”, comenta Peter Jacks, do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, dos cientistas da experiência ALICE, citado num comunicado do CERN. “Mas pode-se afirmar definitivamente que o sistema flui como um líquido.”

http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/experiencias-no-cern-indicam-que-o-universo-comecou-como-um-liquido_1467943
Rita Brito

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Descoberto primeiro planeta de outra galáxia

Planeta orbita estrela de uma galáxia anã, que foi engolida pela Via Láctea.

Desde que o primeiro planeta extra-solar foi descoberto em 1995 pelo suíço Michel Mayor, várias equipas de astrónomos, incluindo de Portugal, já conseguiram identificar quase 500 destes novos mundos, todos eles nativos da nossa própria galáxia. Agora, astrónomos europeus descobriram pela primeira vez um mundo que é mesmo do outro mundo.
Trata-se de um planeta extra-solar que também é extra-galáctico. Embora o HIP 13044b, como foi designado, esteja dentro da Via Láctea, ele é oriundo de uma outra galáxia que há mais de seis mil milhões de anos foi engolida pela nossa. A descoberta é publicada hoje na revista Science.
"É uma descoberta fantástica", disse Rainer Klement, do Instituto Max Planck, que teve a ideia de estudar aquela região da Via Láctea. "Pela primeira vez, detectámos um sistema planetário numa corrente estelar de origem extra-galáctica", notou o investigador. "Devido às grandes distâncias envolvidas", explicou ainda, "não há detecções confirmadas de planetas noutras galáxias, mas esta fusão cósmica [a absorção da galáxia anã pela Via Láctea] trouxe um planeta extra-galáctico até ao nosso alcance".
A estrela que foi observada pela equipa, a HIP 13044, está a dois mil anos-luz da Terra, na constelação de Fornax. O planeta que a orbita, e que agora foi descoberto, é apenas 1,25 vezes maior do que Júpiter, o maior planeta do sistema solar.
Uma particularidade desta descoberta é que ela foi feita no âmbito de um estudo que pretende encontrar exoplanetas na órbita de estrelas já próximas do final da sua vida. É exactamente esse o caso da HIP 13044, que já passou pela fase de gigante vermelha, em que a estrela se expande, depois de ter esgotado o combustível de hidrogénio do seu núcleo. Ao expandirem-se, as gigantes vermelhas engolem os planetas mais próximos na sua órbita, o que significa que o planeta agora identificado não estava ao alcance dessa voragem. Ele é aliás um dos raros planetas conhecidos sobreviventes de um processo deste tipo, o que o torna duplamente interessante.
Nesta altura, a estrela entrou já num outro patamar do seu fim de vida: já se contraiu e está agora a queimar o hélio que lhe resta dentro do núcleo.
Para detectar o planeta, os astrónomos contabilizaram as ínfimas oscilações na luz da estrela, produzidas pela passagem do planeta na sua frente. Isso exigiu medições de grande precisão, que só se tornaram possíveis graças à utilização de um espectrógrafo de alta definição, que está instalado num dos telescópios do European Southern Observatory (ESO), em La Silla, no deserto de Atacama, no Chile.
O estudo preliminar mostra que ele é um gigante gasoso, como a maioria dos descobertos até hoje.

Um gigante gasoso com formação misteriosa

Da classe dos gigantes gasosos, o exoplaneta agora descoberto levanta também novas questões sobre a formação deste tipo de corpos celestes.
A estrela que ele orbita é quase exclusivamente constituída por hidrogénio e hélio, com poucos elementos pesados.
Para os astrónomos é um mistério como ela pôde formar um planeta, já que o seu quadro contradiz as actuais teorias de formação planetária. Provavelmente a sua formação seguiu outro processo. 



Diário de Notícias - 18 de Novembro de 2010

Catarina Fitas